(...)eu vou ficar são, mesmo se for só. Não vou ceder, Deus vai dar aval sim. O mal vai ter fim e no final assim calado, eu sei que vou ser coroado, Rei de mim...
“Vem comigo procurar algum lugar mais calmo, longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita. Tenho quase certeza que eu não sou daqui.”
“Vontade de dormir e só acordar com o barulho da felicidade batendo na porta.”
“Tenho pena de quem me conheceu depois de você, assim, desacreditado. Dá vontade de falar ‘desculpa, é que já passou alguém por aqui e levou tudo’.”
“Sou inseguro mesmo. Confesso. Mas falando sério, quem é que não tem medo de ser trocado?”
“Nenhum segundo a mais no despertador. Nenhum livro novo. Nenhum doce na geladeira. Nenhum sorriso cruzando a rua. Nenhum e-mail. Nenhuma gentileza. Nenhuma mensagem de aniversário. Nenhuma mensagem atrasada de aniversário. Nenhuma piada. Nenhum xingamento. Nenhum elogio. Nenhum barulho de grilo. Nenhum grito de medo. Nenhum acampamento na sala. Nenhuma mensagem no celular. Nenhuma ligação esperada. Nenhuma ligação inesperada. Nenhum aperto de mão sobrando. Nenhum nome faltando. Nenhum pedido atendido. Nenhuma pizza paga. Nenhum drink oferecido. Nenhum sorvete derretido. Nenhuma bochecha corada. Nenhum centavo ganho. Nenhum amor inteiro. Nenhum amor parcelado. Nenhum queixo sujo de brigadeiro. Nenhuma coberta quente. Nenhum sofá com marcas de uso. Nenhum badalar de sinos. Nenhuma nuvem em forma de cavalo no céu. Nenhuma ligação. Nenhum pedido de namoro. Nenhuma escova de dentes fora do pote. Nenhum lápis apontado. Nenhuma sombra. Nenhuma presença. Dias. Noites. Vida. Piloto automático.”
“Me sinto tão velho, doído, machucado. Quase um enfermo convalescendo de verdade. Esperando o tempo passar. Esperando as paredes brancas, encardidas ficarem, e as frestas das janelas chorarem com a ventania em chuva lá fora. Me sinto tão velho. Tão doído. Um enfermo, sentado observando o céu que se desnuda ao amanhecer. Não eu não gosto das manhãs de sol. Odeio os dias ensolarados e o cheiro de praia. Prefiro quando é noite, quando venta. Quando posso olhar mil e um janelas acesas da minha varanda ao som da voz de uma cantora frondosa num bom e velho toca discos. Eu sou tão velho. Doído. Enfermo. Permaneço sentado, perdendo a vitalidade, o tempo e o sorriso.”
”Suponho que estamos condenados a vagar sobre orla da eternidade, sem nunca dar o mergulho final no abismo.” (Poe)
O que distingue a racionalidade da completa inconsciência é uma linha tênue - um por cento da nossa quantidade total de genes, aquela quantidade ínfima que nos separa dos…
“Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é ilusão. Ou círculo vicioso.”
“Sexo verbal não faz meu estilo, palavras são erros e os erros são seus. Não quero lembrar que eu erro também. Um dia pretendo tentar descobrir, porque é mais forte quem sabe mentir. Não quero lembrar que eu minto também. Eu sei. Feche a porta do seu quarto porque se toca o telefone pode ser alguém com quem você quer falar por horas e horas e horas… A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você. Mas não, não vá agora, quero honras e promessas; lembranças e estórias. Somos pássaro novo longe do ninho… Eu sei.”
“Eu acho que tenho essa ironia, esse deboche sim. É uma autodefesa, porque as pessoas são fogo mesmo. Então a gente tem que jogar um pouco com o deboche, com o cinismo para não se machucar.”
“Ir para um lugar que eu nem imagino qual seja. Esse é o meu desejo.”
E por mais que ao longo do dia haja diversão e conversas alheias, no fim do dia a gente se dá conta que falta algo, alguém.
Em 1 minuto está bem, no outro está péssimo. Prazer, eu.
“Ela gostava de ler. Eu sempre fui apaixonado por romancistas. Ela tinha olhos verdes. Eu sempre me interessei por olhos claros. Ela tinha a pele pálida. Eu nunca gostei de sol. Ela dizia não gostar de televisão. Eu sempre preferi livros e vinho. Ela carregava sobre si todas as dores do mundo. Eu sempre me senti um peso. Ela nunca aprendeu amar. Eu sempre fui um bom professor.”